Fundamentos Didático-Pedagógicos


Costuma-se afirmar que a criança e o adolescente são uma "caixa de surpresas" e, com razão, pois o ser humano é um ser inacabado, com infinitas possibilidades de vir a ser... Por isso, há dezenas de antropologias e definições do ser humano. Não há educação sem uma concepção de pessoa. Pedagogicamente vamos assumir, como ponto de partida, que a educação que realizamos nas nossas escolas deve considerar as seguintes dimensões da pessoa humana, sem fragmentá-la:

» biológica: a pessoa humana é um ser que é matéria viva;
» afetiva: a pessoa humana é um ser que sente, se interessa, deseja, tem tendências, valores e emoções;
» cognitiva: a pessoa humana é um ser que sabe que sabe;
» religiosa: a pessoa humana é um ser aberto à relação com o transcendente;
» social: a pessoa humana é um ser de relações.

Há pessoas que pensam que educar equivale a transmitir informações. Outras, acham que se trata apenas de ensinar e há quem pense que educar significa treinar determinadas habilidades. Nós optamos pela concepção de que educação é o processo de constituição histórica do sujeito, através do qual torna-se capaz de projeto próprio de vida e de sociedade, em sentido individual e coletivo. Esta concepção reserva para a escola e para o educador o papel mais modesto, mas fundamental de, por um lado, favorecer que cada aluno assuma o próprio processo educativo e, por outro lado, avaliar-lhe o desenvolvimento a fim de permitir-lhe correções de rumo, quando necessário.
Quando olhamos para o Sistema Preventivo e nos perguntamos se ele pode nos ajudar a ser mediadores no autodesenvolvimento do educando nas cinco dimensões acima, damo-nos conta de que ele é bastante fragmentário em suas contribuições. Por outro lado, cada vez mais, assistimos nossos educadores reportarem-se a Piaget, Vygotsky, Wallon, Freinet e outros, como embasamento teórico de sua prática didático-pedagógica. Tal fato impõe-nos uma questão: Nossas escolas são orientadas pelo Sistema Preventivo ou pelo socioconstrutivismo?
Somos da opinião de que a pedagogia integral pode ser figurada pelo seguinte esquema:

TEORIA DA APRENDIZAGEM:
TEORIA DO ENSINO:
TEORIA DOS FINS:
saber como o aluno aprende
saber como ajudar o aluno a aprender
saber para que o sujeito aprende e para que se ensina

É claro que essa tripartição é apenas esquemática. Na teoria e na prática ninguém fica limitado a apenas uma dessas partes; elas se entrelaçam. Contudo, cada autor tem maior consistência em uma dessas partes. Portanto, a prática pedagógica das nossas escolas, ao propor-se realizar a educação integral de crianças e adolescentes nas cinco dimensões - biológica, afetiva, cognitiva, religiosa e social -, inspira-se:

» em relação à teoria da aprendizagem: prevalentemente na teoria socioconstrutivista;
» em relação à teoria do ensino: na pedagogia de Cèlestin Freinet, em livros didáticos e revistas especializadas que se inspiram no socioconstrutivismo;
» em relação à teoria dos fins: na experiência pedagógico-pastoral de Dom Bosco, cristalizada no sistema preventivo.

Para proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento do aluno nas cinco dimensões fundamentais da pessoa humana, nossas escolas atuam através de educadores docentes e educadores de práticas e vivências.
Os educadores docentes, orientados pela concepção de pedagogia integral acima exposta, ocupam-se, principalmente, das atividades de classe, desempenhando os seguintes papéis:

1 organizador da aprendizagem, pois , conhecedor das expectativas dos alunos, escolhe as situações-problema a fim de possibilitar a construção de conceitos;
2 facilitador da aprendizagem, porquanto cabe ao professor fornecer as informações que os alunos não conseguem ou não são capazes de "digerir";
3 mediador da aprendizagem, ao estabelecer as "regras do jogo" para a realização das atividades e a mediação do diálogo dos alunos e comparação e análise dos seus caminhos na solução das situações-problema;
4 incentivador da aprendizagem, uma vez que a criança e o adolescente necessitam, nem sempre é o que querem; mas, também, porque incentiva a aprendizagem cooperativa;
5 avaliador da aprendizagem, pois cabe ao professor saber, com clareza, se o aluno aprendeu ou não e comunicar isso ao aluno.

Os educadores docentes trabalham, fundamentalmente, o aprender a conhecer (conteúdos conceituais), o aprender a fazer (conteúdo.s procedimentais) e aprender a ser (conteúdos atitudinais), transversalizados pelo aprender a conviver e aprender a crer. Por isso, o planejamento pedagógico dos educadores docentes é elaborado levando em conta explicitamente os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais.
Os educadores de práticas e vivências, orientados pela concepção pedagógica acima exposta, ocupam-se, principalmente,do aprender a viver juntos e do aprender a crer por meio das atividades extra-classe, realizando-as, especialmente, através das seguintes dimensões:

1 evangelização e catequese, através da qual oportuniza a cada aluno a construção do próprio projeto de vida, centrado na figura de Jesus Cristo. Para isso, cuidam para que os ambientes das nossas escolas sejam acolhedores, veiculadores de mensagens significativas e ricos da proposta religiosa católica através de celebrações de festas, da liturgia, de manhãs de formação, retiros e outras atividades fundamentadas na prática cristã-católica;
2 experiêrrcia associativa, pois viver em grupo é fundamental para o adolescente, razão pela qual o educador de práticas e vivências favorece a formação de grupos, quer do grupo passageiro que se forma em torno, por exemplo, de uma excursão, quer dos grupos de interesse, como por exemplo de esporte ou música, quer dos grupos de reflexão;
3 orientação vocacional, pois o aluno vem à nossa escola para dela sair com um projeto de vida consistentemente desenhado, o que inclui a orientação profissional e, sobretudo, a sensibilização para um projeto de vida orientado ao outro, quer através do matrimônio ou da consagração religiosa.