CAMPO GRANDE, 17 A 24 DE NOVEMBRO DE 2008
PE. OSMAR BEZUTTE
AO CHEGAR O NATAL
Em primeiro lugar e acima de tudo, Natal é celebração do dom da vida.
E o melhor ambiente para celebrar esse evento/mistério
de modo mais pleno e original é a família.
Pe. Dirceu Benincá, da PUC-SP, escreveu um artigo interessante no MUNDO JOVEM (nov 2008) chamando-nos a atenção sobre o perigo da mercantilização da festa do Natal que pode ofuscar o seu sentido cristão.
Diz-nos que Maria e José, deslocando-se para Belém da Judéia, num momento de maior necessidade, não obtiveram solidariedade: “Exatamente em Belém – cujo nome significa casa do pão – não houve acolhimento”. E comenta: “a exclusão não é um episódio acidental e nem um fenômeno restrito a uma ou outra época ou espaço... Na lógica capitalista, o presépio e o templo se modernizaram. Neles são entoados efusivos hinos do tipo: ‘Viva o mercado global e paz na terra aos homens de boa capacidade econômica’; ‘paz a todos os que conseguem salvar-se do atentado, do assalto, do seqüestro, da competição, do fanatismo religioso, das discórdias familiares, dos abortos irresponsáveis, das Tropas de Elite, do estado de mal-estar social, das doenças velhas e novas, da fome, da falta de perspectivas de futuro, da solidão’... ‘Enquanto isso, o Menino de Belém sofre hoje nos rostos de tanta gente, como afirmaram os bispos em Aparecida (DA 65). E disseram que, no atual modelo de globalização, os excluídos não são somente explorados, mas tratados como supérfluos e descartáveis’”.
Trazendo o fato “Natal” para os dias de hoje, podemos dizer com o Pe. Dirceu que “o Menino segue por aí. Sobrevive a duras penas na pessoa de milhões de excluídos. Apenas sobrevive! Migra e vagueia por todo o lado. Foge da morte para a morte. É superexplorado, prostituído, humilhado como um escravo pós-moderno, sem trabalho, sem salário, sem passaporte, uma não-pessoa. O Menino está ali apesar de todas as perversidades arcaicas ou pós-modernas”.
Então, como celebrá-lo?!
Diz-nos o Pe. Dirceu que “a família é o espaço, por excelência, para a celebração do Natal... Como ele nós também nascemos, fomos envolvidos e, em geral, vivemos em núcleos familiares... É fundamental cada um valorizar sua família particular. Porém, não significa que se deve esquecer os outros, especialmente os mais pobres e excluídos. Natal é apelo de justiça, paz e solidariedade.. implica também fortalecer o desejo de lutar por uma sociedade mais igualitária, onde todos tenham condições de vida digna... A verdadeira felicidade não se faz à base de mercadorias e presentes. Tornemo-nos nós mesmos o maior presente para nossos irmãos... Aproveitemos o tempo do Advento e do Natal para exercitar o diálogo, as expressões de fraternidade e ternura na família, na comunidade e na sociedade, atitudes que coroam esse acontecimento com seu peculiar sentido”!
Sugestão de atividades para a reunião de grupo com os jovens
1) Organizar o ambiente de uma forma aconchegante. Pode ser com música, uma toalha, uma cesta com velas, ramos verdes, flores e frutas, um calendário do ano corrente e do próximo ano. Conversar como foi o ano vivido, os projetos realizados e o que cada um(a) espera para o próximo ano.
2) Ouvir e cantar juntos a música Então é Natal (Mundo Jovem, nov 2005), conversando sobre o que ela sugere. Acender as velas, à medida que vão sendo citadas as ações do grupo, da comunidade e outras que neste ano foram ações de paz e que promoveram a vida.
3) Com um abraço, o grupo pode selar o compromisso, individual e coletivo, de não medir esforços para que cada vez mais seja construída uma cultura de paz entre nós.