Aprendizado
 


Aprender a conhecer

É a aprendizagem que se refere mais ao domínio dos instrumentos de conhecimento do que a um repertório de saberes [1] com dupla finalidade: melhor compreender o mundo em evolução e atitude amiga com relação à ciência - visto que o tempo de lazer tende a crescer - como prazer de conhecer, compreender e descobrir.

Aprender a fazer

"O saber moderno (...), desde o início e na sua própria espessura (...) é um certo modo de ação." [2] É a aprendizagem de como pôr em prática o próprio conhecimento e de como adaptar a educação ao trabalho futuro, quando não se pode prever qual será sua evolução. O relatório atém-se à Segunda questão, o que se justifica por estar direcionado não só para a educação fundamental, mas também para a profissionalizante, de nível médio ou superior. Por isso, utilizamos, aqui, as contribuições de César Coll. [3]
Sem ceder a fáceis utilitarismos, é preciso prestar maior atenção à constante pergunta dos adolescentes: "Professor, para que serve isso?"
Para isso, a escola precisa proporcionar oportunidades para que o aluno aprenda procedimentos, ou seja, ações ordenadas que se orientam à consecução de uma meta clara.
Não é demais ressaltar que aprender a fazer passa necessariamente pelo fazer. Não é suficiente dar aula de como se faz pesquisa, de como se lê com proveito, de como se monta um circuito elétrico... É necessário que essas coisas constem no currículo, pois só a experienciação oferece desafios e imprevistos a serem resolvidos. É, sobretudo, na superação do não previsto, do não esperado que acontece o conhecimento e, em conseqüência, a educação. O aluno que tiver feito essa experiência de escola terá, com relação ao aluno que vivenciou apenas a assepsia de aulas e livros didáticos, maiores oportunidades para situar-se como sujeito em um mundo que oferece a cada dia novos desafios.

Aprender a viver juntos

  Esta aprendizagem representa grande desafio à educação. Pensamos numa escola que oportunize a descoberta dos outros, das suas culturas, da sua espiritualidade e que fortaleça a convicção de que a humanidade tem objetivos comuns. Isso passa, necessariamente, por forte vontade política dos gestores escolares.
Para que aconteça educação, nesse sentido, é preciso que a escola reserve tempo e ocasiões suficientes para que crianças e adolescentes realizem aprendizado cooperativo, desenvolvam projetos de cooperação e aprendam métodos de resolução de conflitos.

Aprender a ser

É a aprendizagem síntese de todas as outras aprendizagens e que implica, sobretudo, em desenvolver a própria personalidade para estar à altura de, em qualquer contexto, discernir e agir com autonomia e sentido de responsabilidade.
Aprender a ser passa pelo cultivo e desenvolvimento de todas as potencialidades do indivíduo, o que significa que a escola deve capacitar-se para utilizar as novas pesquisas em torno das inteligências múltiplas mas, sobretudo, para formar valores e atitudes, uma vez que estas mostram, mais claramente, o ser humano que se é. [4]

Aprender a crer

O ser humano sempre se deparou com a questão do sentido da vida. Historicamente, a humanidade deu a esse problema quatro respostas: a ressurreição, a reencarnação, o ancestral e o nada.
Diante da pluralidade de ofertas pedagógicas, nossas escolas, confessionais católicas, propõem-se a educar à fé na ressurreição, como planificadoras das potencialidades humanas.
A eternidade feliz passa a ser entendida como culminância do processo educativo, que, iniciado aqui e agora, se realiza em plenitude no além morte como conseqüência das escolhas operacionalizadas na história individual e coletiva de cada ser humano.

Síntese

A educação infantil, o ensino fundamental e médio são uma das oportunidades principais que o indivíduo recebe para desenvolver suas aprendizagens, mas a escola que conhecemos, até os dias de hoje, ainda não se deu conta, na prática, que a sua missão é a aprendizagem do aluno e não o ensino.
Se considerarmos o aprender a conviver, o aprender a ser e o aprender a crer como aprendizagens-fim, teremos aí o papel político da escola. Se consideramos o aprender a aprender, o aprender a fazer como aprendizagens-meio, teremos aí o papel formal da escola.
Ambos os papéis precisam ser reconstruídos e este projeto pedagógico intenciona ser ferramenta adequada para, se bem utilizado, possibilitar que o espaço-tempo escolar seja resgatado como espaço-tempo de reconstruçãodesenvolvimento da comunidade educativa. É educativa porque o aluno aprende, é educativa porque o professor aprende, é educativa porque a instituição produz conhecimento.


[1] Alguns livros interessantes: PÉREZ, Miguel Fernándes. La Professionalizacion del docente. Madrid: Editorial Escuela Española, 1998. BELTRÁN, José Maria Martínez. La mediación en el processo de aprendizaje. Madri: Bruño, 1994. SÁNCHEZ, Maria Dolores Prieto. Modificabilidad cognitiva y P.E.I. Madrid: Bruño, 1992. BELTRÁN, J. M. M.; GUTIÉRREZ, J. J. B.; VILARÓ, R F Metodologia de la Mediacion en el P.E.I.: orientaciones y recursos para el mediador. Madrid: Bruño, 1991. DELVAL, Juan. Aprender a aprender. Campinas: Papirus, 1997.
[2] FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. 3. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1985, p. 344.
[3] COLL, C. et al. Los Contenidos en la reforma: enseñanza y aprendizaje de conceptos, procedimentos y actitudes. Madrid: Santillana, 1992, pp. 79-132.
[4] COLL, C.; POZO, J. I.; SARABIA, B. et al. Los Contenidos en la reforma: enseñanza y aprendizaje de conceptos, procedimentos y actitudes. Madrid: Santillana, 1992, pp. 133-197. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais, ética. Brasília: MEC/SEF, 1997.